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18 de abr de 2011

Deputado do PDT que rejeitou benefícios cria inimigos na Câmara

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

"- Eu quero falar sobre as minhas propostas. As propostas."
UOL
Deputado proporcionalmente mais votado do país aos 38 anos de idade, José Antônio Reguffe (PDT-DF) quer evitar rótulos mas se tornou um incômodo para vários colegas.
 
Novato, abriu mão de uma série de benefícios. Defensor do Corte de mordomias, é chamado de demagogo e de Dom Quixote por (muitos) adversários.

Com mais de 266 mil votos, ou 19% dos eleitores no Distrito Federal, o economista carioca ganhou destaque na Câmara Distrital durante o escândalo que levou à queda do então governador, José Roberto Arruda. Lá, tomou medidas semelhantes às que adotou no Congresso Nacional no início de seu primeiro mandato.

Abriu mão dos 14º e 15º salários, rejeitou a cota de passagens aéreas, fixou em nove o número de assessores de gabinete –poderiam ser 25–, e descartou receber qualquer verba indenizatória até o fim do mandato.

"- Se o político faz algo errado, jogam pedra. Se faz o que é certo, querem julgar a intenção. Eu pelo menos estou fazendo a minha parte. Tudo que eu proponho eu dou exemplo antes no meu gabinete", disse Reguffe ao UOL Notícias.

"- Quem dera tantos fossem demagogos como eles acham que eu sou. O contribuinte agradeceria. A população hoje não acredita na classe política. Isso é culpa dos personagens, por desvios éticos inaceitáveis. Mas também é culpa do sistema como um todo. Um sistema que os políticos profissionais não querem mudar."

De acordo com cálculos do pedetista, ao final do seu mandato ele terá economizado aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões com suas medidas. Se todos os 513 deputados tomassem as mesmas iniciativas, a economia seria de mais de R$ 1,2 bilhão –embora esteja nesse valor o auxílio-moradia, fundamental para parlamentares de fora de Brasília.

"- Podem me criticar por qualquer coisa, menos dizer que eu não fiz no meu mandato exatamente o que disse que ia fazer na minha campanha”.

"- Isso que fiz é compromisso de campanha."


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Governo e propostas

Um dos alvos do deputado é o projeto do trem-bala entre RJ e SP, aprovado esta semana e que destinará R$ 20 bilhões em financiamento do BNDES a uma obra que ele considera "uma corrupção das prioridades". “Temos que investir em educação, saúde e segurança pública. Não é prioridade construir um trem”, disse ele, pausadamente, por conta de uma gripe pesada, mas que não o impediu de ir às votações na Câmara na quarta-feira (13).

Ao lado de deputados que fazem piada do seu jeito, ele atua na comissão pela reforma política com uma proposta para impor limites na reeleição dos colegas e financiamento público de campanha, com possibilidades idênticas para todos os partidos: "- Tem de ganhar pelo conteúdo, e hoje é uma competição para arrecadar", avalia.

Cheio de ideias, ele defende o fim da assinatura básica de telefone, água e luz. Os planos de saúde também atraem a antipatia do pedetista. "Precisam ser fiscalizados", afirmou.

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