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2 de abr de 2011

Deputado José Antônio Reguffe abre mão de salário e verbas parlamentares: "Era excessivo"

Dono da maior votação proporcional do País, José Antônio Reguffe chega à Câmara disposto a reduzir o salário dos deputados e o número de parlamentares no Congresso.

Chamado de "demagogo" por alguns colegas, o deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF) resolveu abrir mão dos benefícios e ajudas de custo parlamentar que, para ele, "são desperdício de dinheiro público". Ainda no começo de fevereiro, ele encaminhou seis ofícios para a Diretoria da Câmara pedindo - em caráter irrevogável - os seguintes itens:

- suspensão do 14º e 15º salários que teria direito a receber;

- redução da verba de gabinete em 20% - passando de R$ 60 mil para R$ 48 mil;

- redução - de 25 para nove - do número de assessores a que teria direito;

- diminuir em mais de 80% a cota interna do gabinete. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600;

- acabar com o seu auxílio moradia, por, segundo descrito no ofício, entender que deputados eleitos pelo Distrito Federal não necessitem do benefício;

- acabar com a cota de passagens, também por ter sido eleito pelo DF.

A assessoria do parlamentar calculou que ele vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. "Defendo a tese de que um mandato pode ser de qualidade, custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. É o que pratiquei enquanto deputado distrital e agora enquanto federal", afirmou Reguffe a Terra Magazine.

Se os outros 512 deputados fizessem o mesmo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão, ainda segundo cálculos feitos pela equipe do parlamentar. "Consigo fazer todo o meu trabalho e cumprir a minha obrigação para com a sociedade", afirmou, para depois destacar que com o que recebe consegue manter "assessores de qualidade" em seu gabinete.

- Eu consigo trabalhar bem com essa equipe, consigo ter um mandato bom, que me dê um suporte técnico. No meu gabinete tenho um assessor jurídico, legislativo, de imprensa, chefe de gabinete... - relata.

Para Reguffe, "o montante era excessivo, porque um deputado precisa ter assessores, mas não 25, que acaba parecendo uma estatização de cabos eleitorais".

Questionado se seus colegas de partido pretendiam seguir o mesmo caminho, o parlamentar preferiu não entrar nessa polêmica e se limitou a falar de suas iniciativas.

Apresentados os seis ofícios, alterando o orçamento de seu próprio gabinete, o deputado encaminhou à Mesa Diretora dois projetos que acabariam com o 14º e 15º salários, reduziria a verba de gabinete e o número de assessores de 25 para nove.

"Tudo o que eu proponho tenho que fazer antes no meu gabinete", diz Reguffe, que rejeita a acusação de demagogia: "Alguns colegas acham que isso é demagogia. Seria demagogia se eu pregasse isso e não fizesse dentro do meu próprio gabinete".

E, irônico, completa: "Bom seria se fossem todos 'demagogos'".



Aos 38 anos, o economista José Antônio Reguffe (PDT-DF) foi eleito deputado federal com a maior votação proporcional do País – 18,95% dos votos válidos (266.465 mil) no Distrito Federal. Caiu no gosto do eleitorado graças às posturas éticas adotadas como deputado distrital. Seus futuros colegas na Câmara dos Deputados que se preparem.

Na Câmara Legislativa de Brasília, o político desagradou aos próprios pares ao abrir mão dos salários extras, de 14 dos 23 assessores e da verba indenizatória, economizando cerca de R$ 3 milhões em quatro anos.

Cique e leia a entrevista à ISTOÉ, em 2010.


4 comentários:

Anônimo disse...

José Antônio Reguffe, esse é o cara! Aqui, limitaram-se a comentar em seu senso ético e moral em relação à sua própria remuneração. Mas não para por aí, já que suas propostas de reforma política também são excelentes. Vou falar a verdade, esse deputado é não apenas um exemplo, mas uma inspiração. Precisamos das pessoas certas na política, não adianta só ficarmos criticando os políticos corruptos, é hora das pessoas honestas assumirem sua responsabilidade e entrarem para a vida pública. Só assim poderemos ter alguma mudança para melhor neste país. Na boa, agora estou pensando seriamente em entrar para a política, porque sei que não serei o único honesto ali. Honestos, unamo-nos!

Valter disse...

Cara, gostei muito da iniciativa. Resolvi procurar no google pq recebi noticias desse político economista por e-mail. Parabens deputado! Voce tem condições substanciais para desmistificar a política como se só bandidos assumissem esse cargo.
Sustente a palavra! Eu to contigo!
Vc parece não ser mais um passa-fome espertalhão que não teve sucesso profissional e entrou na política para se dar bem.
Abraços!

Matheus disse...

Eu e milhões de Cidadãos Brasileiros, gostariamos de ver os documentos assinados, e se possível o extrato da conta SALÁRIO deste "cidadão".

Quando alguém comete um crime logo - ha que se ter provas MATERIAIS para condenação, CERTO?

Quando alguém comete uma boa ação também ha que se ter provas MATERIAIS, CERTO?

Não divulguem informações de "OUVI DIZER".
Jornais, e a mídia como um TODO distorcem às informações e divulgam informções não verídicas.

Blog da Clara disse...

Eu estou até repenssando meu modo de ver a política depois que soube o que esse deputado fez. Acredito que existam pessoas honestas para representar o povo.Mas para melhorar ainda mais o voto não deveria ser obrigatório e não precisaríamos ouvir as bobagens que esses políticos falam na propaganda eleitoral gratuita e obrigatória, para conseguirem votos. Aí sim eu queria ver como seriam os candidatos.