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2 de mar de 2011

Cotas de tevê: para pressionar, Globo não transmite jogo do Santos

Odir Cunha

O Santos está pagando caro por não ouvir o canto de sereia da Globo. Amanhã, provavelmente para pressionar a direção do clube a sair do Clube dos 13 e negociar em separado com ela, a Globo não transmitirá Santos e Cerro Porteño pela tevê aberta, preferindo o grande clássico do futebol brasileiro entre Palmeiras e Comercial do Piauí.

É claro que não há qualquer lógica entre escolher um jogo pelas rodadas iniciais da Copa do Brasil e deixar de lado uma partida pela importante Copa Libertadores entre o Santos, o único clube paulista na competição e o tradicional Cerro Porteño.
 
É sempre bom lembrar que é de São Paulo que a Globo consegue 80% de sua verba publicitária. Desdenhar o único representante do Estado na competição mais importante da América do Sul é, acima de tudo, desinteligente. Até porque o jogo atrai também o interesse dos torcedores dos outros times paulistas.
 
É nestas horas que faz falta a concorrência. Há alguma dúvida de que qualquer emissora que pudesse transmitir o jogo da Vila Belmiro teria maior audiência do que a atração escolhida pela Globo?


Record já ganhou sem competir. Globo fugirá de campo

Esta cada vez mais claro que a Rede Record, hoje a mais rica tevê do País, ganhará a concorrência para transmitir os Brasileiros de 2011, 2012 e 1013. Dinheiro para isso ela tem e, pelo jeito, a Globo já tirou o time de campo antes mesmo de começar o jogo.
 
Com a criação de uma boa programação esportiva que dê sustentação às transmissões de futebol, a Record, em menos tempo do que se imagina, não deixará saudades da emissora que fez do futebol brasileiro o que bem quis.

Jogos em horários proibitivos para o trabalhador, que muitas vezes não tem mais transporte público para voltar para casa; acordos particulares com times de massa, em detrimento da maioria; desdém pelo mérito esportivo, tudo isso, esperamos, se torne coisa do passado com a vitória da Record.
 
Além de mais dinheiro, os clubes precisam ser respeitados pela tevê. Mais do que conchavos políticos e marqueteiros, o que ainda preserva alguma credibilidade ao futebol é a valorização dos melhores, ou seja, valores contrários aos que levaram à esdrúxula decisão de não transmitir o jogo do Santos, amanhã.

A relevância dos jogos e das competições não pode depender de uma emissora que usa o esporte apenas para ganhar dinheiro e satisfazer seus interesses, sem nenhuma preocupação com a essência do esporte.

Se a Record puder oferecer o que a Globo nunca pôde, logo estará no coração dos brasileiros como a emissora número um do futebol. Basta que seja justa, coerente e, repito, respeite os clubes e, principalmente, os telespectadores amantes do esporte.

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